Do ensino de Língua Materna
Saudade e enternecimento
A fome no Brasil
Do ensino de Língua Materna
Até os dias atuais a expressão “professor de língua portuguesa” ainda soa como sinônimo de “professor de gramática”. E, a palavra gramática, por sua vez, carrega consigo negativa carga de significado. Muitos que ouvem a palavra gramática até sentem arrepios, pois historicamente o ensino dessa disciplina sempre foi pregado nos bancos escolares de modo místico e repressivo. Ensinar a gramática como um produto sobrenatural é o mesmo que pregar a morte do idioma. O ensino de gramática de modo puro e fragmentado não promove desenvolvimento lingüístico, muito pelo contrário, gera traumas e irreversíveis bloqueios ao educando. O professor de língua materna deve partir do pressuposto que, aos cinco ou seis anos de idade, a criança tem pleno domínio do idioma que fala e desta forma, as aulas de língua portuguesa devem ser pautadas no enriquecimento lingüístico dos educandos, tornando-os verdadeiros “poliglotas na própria língua”.
Mas como fazer isso? Se você esperava por uma receita perfeita, não se entristeça, pois ela não existe. No entanto, existem meios para tornar o ensino de língua materna mais produtivo. Antes de tudo, deve-se ter como base o respeito. Respeitar a variedade lingüística de todo e qualquer aluno, pois a língua que ele fala revela boa parte de sua identidade. Feito isso, o passo seguinte para o enriquecimento lingüístico é expor o educando ao maravilhoso mundo da leitura e da escrita, tendo sempre como modelo os escritores consagrados. Ler e escrever, escrever e ler são ingredientes que favorecem a ampliação do vocabulário e ajudam a fermentar a maneira que o jovem tem de enxergar o mundo. Por fim, o ensino de língua materna não deve ser castrador. Ele precisa acontecer de modo suave e libertador, propiciando ao educando o conhecimento de todas as faces do próprio idioma. Gostaria de encerrar essa breve consideração a respeito do ensino de língua materna, afirmando que a escola é o lugar onde se deve ensinar a norma culta do idioma, mas é evidente que isso necessita ser feito de modo coerente e significativo.
Alessandro Mendes

Saudade e enternecimento
A
saudade é um sentimento que embala poetas e move amantes, no
entanto, ela é tão complicada que na maioria das vezes se confunde
com outro sentimento parecido: o enternecimento.
Saudade e enternecimento são separados por uma linha tênue, causando muita confusão no coração humano. Saudade vem do latim solitátis, que expressa solidão, desamparo; já enternecimento vem de “terno”, do latim ternus, é brandura, delicadeza, suavidade.
Portanto saudade é a falta, o desejo de uma determinada situação (ou pessoa de volta), é querer reviver experiências. Enternecimento é o carinho: o lembrar de uma antiga paixão, mas não necessariamente querer tal sentimento ou experiência de volta.
Muitos casais têm dificuldade em aceitar uma separação por não saber discernir os sentimentos: pensam que é saudade o que muitas vezes é enternecimento; pensam que é paixão o que muitas vezes é carinho. Assim enfrentam monstros da própria criação, já dizia Renato Russo.
Mas e os poetas? Ah os poetas! Para eles a saudade é a mola propulsora, procuram materializar em palavras o que lhes falta no íntimo, buscam viver novamente o que não existe mais. Assim preenchem o vazio e espantam a solidão.
Saudade é um desconforto entre o estômago e o coração. Enternecimento é a brisa fresca num fim de tarde quente.
A saudade é ruim então? Claro que não... a saudade é o alimento que sustenta as relações amorosas! Não há sensação melhor do que contar as horas, de um longo dia, para encontrar a pessoa amada no anoitecer. Não há sensação pior do que saber que a pessoa amada não te espera mais. Então a saudade se torna grande vilã do coração.
A Saudade não pode ser sofrimento. Em alguns casos, é mais saudável tentar transformá-la em enternecimento. Não há nada melhor do que a paz de espírito.
Mieli Rivero Montaño

A fome no Brasil
Apesar do programa “Fome Zero” estar em pauta desde 2003, nota-se que a fome ainda é uma realidade em nosso país. Dados atuais revelam que dos 32 milhões de pessoas que passam fome, metade vive em áreas rurais e 66 milhões continuam se alimentando precariamente. A solução, segundo especialistas, não estaria somente na distribuição de cestas básicas ou em programas sociais, como o Bolsa Família, mas na urgente reativação da economia e na criação de novos empregos. É notório que o país oferece trabalho, o que nos falta são pessoas qualificadas para assumirem determinados cargos. Surge através disso outro problema e há muito esquecido; a necessidade em investir maciçamente na educação. No entanto, nos esquecemos que o que devasta nossa nação não é somente a fome carnal, cujo resultado é a debilitação do corpo; mas também a falta da fome de justiça que unida à comodidade, faz Renans e Renans criarem gados fantasmas para alimentar aventuras amorosas, enquanto no semi-árido Franciscas, Pedros e Beneditas sentem na carne o chorar amargurado de seus filhos, por não terem um pedaço de pão.
dissertação de aluno
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