Matéria publicada no jornal Cruzeiro do Sul (Sorocaba-SP) em 06 de maio de 2006/pág. B-2
Professor ensina a conjugar verbos por fórmula matemática.
Por Daniela Jacinto
Conjugar verbos usando fórmulas matemáticas. Pode parecer complicado, mas para quem tem dificuldade em relação à língua portuguesa e mais facilidade com a matemática, essa é uma opção para ajudar no aprendizado. Foi pensando assim em oferecer uma oportunidade a mais para compreender e conseguir conjugar adequadamente os verbos, que o professor Sergio Portela elaborou o curso “A Matemática da Língua Portuguesa – um estudo dos verbos, que em breve deve ser lançado em livro. Hoje, a partir das 14h, o público poderá conhecer esse novo método durante aula ministrada pelo professor no Colégio Integração. Apesar de dirigida a vestibulandos, professores e universitários do magistério que pretendem dar aulas para o colegial , podem participar dela demais interessados.
Sergio explica que seu curso pode ser freqüentado inclusive por curiosos, que desejam saber como é que alguém conseguiu transformar a língua portuguesa em matemática. “Na verdade, a conjugação dos verbos não é aleatória, existem regras fixas como na matemática e a partir delas é possível compreender como funciona sua estrutura, e então fica mais fácil saber a ocasião adequada para empregar determinado verbo”, diz.
Formado em letras pela Universidade de Sorocaba (Uniso) Sergio afirma que a idéia de elaborar fórmulas matemáticas para conjugar os verbos surgiu a partir de uma conversa com seu primo. “Muito ligado às questões lingüísticas, ele estava comentando sobre o comercial da Caixa, cujo slogan é ‘Vem pra Caixa você também’, quando na verdade o correto seria ‘Vem pra Caixa tu também’ ou ‘Venha pra caixa você também’. Foi então que começamos a falar sobre a dificuldade que as pessoas têm em conjugar os verbos e que apesar de parecer não haver uma lógica por trás das conjugações, ela existe e é tão exata quanto à matemática, mesmo com tantos verbos irregulares. A partir disso passei a elaborar as fórmulas para mostrar às pessoas como isso funciona”.
Não é tortura
Sergio Portela afirma que o novo método não é para ser usado como mais uma fórmula para os alunos se descabelarem. “Existe todo um estudo dos verbos para depois chegar às fórmulas, então o professor que quiser usar em sua sala de aula terá de explicar tudo, pois elas irão ajudar na memorização. Isso na verdade serve como uma opção a mais de ensino”.
O professor esclarece ainda que esse aprendizado dos verbos através das fórmulas só deve ser aplicado por professores que lecionam a partir de séries do ensino médio ou nível superior. “Para as crianças não existe por quê”.
Foram ao todo sete meses de trabalho, estudo e pesquisa para provar que os verbos possuem estrutura concreta e lógica. “Para elaborar a conjugação dos verbos, o gramático teve todo um trabalho que envolveu semiótica e lingüística”, afirma.
Sergio explica que existem três tempos que dão origem aos outros tempos: presente do indicativo (eu estudo/ tu estudas...), pretérito perfeito do indicativo (eu estudei/ tu estudaste...) e infinito impessoal (estudar/ estudares...) a partir deles surgem os tempos derivados. “O aluno precisa saber esses três tempos, depois consegue encontrar os outros. Pela fórmula, ele vai conhecer a estrutura do verbo (os radicais, as desinências, a vogal temática e o tema), não só os tempos e os modos verbais, e ele poderá então usar esse conhecimento na vida para se comunicar bem e até mesmo conseguir um bom emprego em virtude disso”.
Olhando as fórmulas, o método parece complicado, mas Sérgio explica que não é bem assim. “Esse conteúdo todo é visto com calma e paciência durante o curso e depois que o aluno conhece a estrutura, fica mais fácil de montar os demais tempos e modos. Através da repetição, ele irá memorizar e isso passará a ser automático para ele”.
Numa época em que a escola fala sobre construir o saber, deixando de lado as cópias e a memorização, Sergio não teme as críticas que possam surgir por trazer mais fórmulas e falar sobre a repetição. “Não temo críticas, aliás espero que elas surjam mesmo para que assim eu possa explicitar minhas idéias. Os verbos sempre foram complicados porque aparentemente nem todos seguem uma mesma linha de raciocínio, então os alunos tinham de decorar mesmo, quem sabe agora, entendendo a lógica que há por trás deles fique mais fácil”.
Para Sérgio, quem tem facilidade com exatas pode ser um dos mais beneficiados pelo método. “Durante um dos cursos, um rapaz veio conversar comigo e disse que odiava a língua portuguesa, mas aprender os verbos dessa maneira estava sendo um prazer para ele”
Com entrega de apostila e certificado, além da aula, o evento conta também com um café literário e a palestra “Novas Abordagens em Literatura”, proferida pelo dramaturgo e coordenador do curso de Letras da Uniso, Roberto Gil Camargo, coquetel e um sarau de poesias encerram a programação, às 19h.