Lista das abreviaturas utilizadas
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A Matemática da Língua Portuguesa
um estudo dos verbos
Conjugar verbos sempre foi uma das maiores dificuldades que brasileiros e estrangeiros têm quando necessitam empregar a língua portuguesa nos moldes cultos. São mais de 14.000 verbos classificados como regular, irregular, defectivo, abundante, anômalo, impessoal, unipessoal, auxiliar e principal; cinco flexões: número, pessoa, tempo, modo e voz; três formas nominais: infinitivo, gerúndio e particípio; e duas formas de tonicidade verbal: rizotônicas e arrizotônicas. Três tipos de morfemas: radical, vogal temática e desinência; e três conjugações: ar, er, e ir. Vinte e cinco paradigmas, sendo quinze dos tempos simples e dez dos tempos compostos. Três tempos primitivos e doze tempos derivados; e ainda onze tempos verbais. Mas como ensinar tudo isso? Bom, há várias formas. Atualmente ainda assistimos a tradicional. E como isso se dá?
O professor vai à lousa, coloca seus pertences na mesa e diz aos alunos: “hoje iremos aprender o que é verbo”. Logo após pergunta: “vocês saberiam me dizer o que é verbo?” e todos ficam em silêncio. Não contente com o silêncio que paira no ar, resolve perguntar novamente e um menos tímido responde lá do fundo: “é a palavra que dá para conjugar?” Mas o que é conjugar? Pergunta o professor, e todos continuam quietos, travados.
Um outro exemplo básico ocorre quando o professor vai à lousa e de uma hora para outra começa a metralhar os alunos: “bom pessoal, verbo é a palavra que flexiona em número, pessoa, tempo, modo e voz, e pode indicar ação, estado, fenômenos da natureza etc. Os verbos podem ser regulares, irregulares, defectivos, abundantes, anômalos, impessoais, unipessoais e etc. Vamos agora conjugar o verbo estudar no pretérito perfeito do indicativo: eu estudei, tu?...” nesse meio tempo o aluno já está com o cabelo em pé, querendo pegar um extintor e apagar a labareda que sai da boca do professor.
Afinal, como e para que ensinar verbos? Não vou dizer aqui que tenho a solução definitiva para resolver esses problemas, mas apresentarei sugestões. Uma primeira resposta seria para que o aluno consiga desenvolver o raciocínio lógico que a língua proporciona, pois muitos alunos, devido a uma didática inconsistente, insistem em dizer que os verbos não possuem uma lógica, uma coerência, e isso não é verdade. Ora, conjugar verbos é tão lógico quanto resolver equações, frações ou porcentagens. Dizer que os verbos não têm uma lógica é no mínimo dizer que o que cada um de nós falamos não tem sentido. Não é à toa que Vera Cristina Rodrigues (2004:06), autora do Diocionário Houaiss de Verbos, afirma:
“A questão da irregularidade verbal, que tanto assusta, não é tão terrível assim. Na verdade, há uma grande regularidade nas irregularidades e, se tivermos um pouco de paciência para examinar o funcionamento sistemático da língua, vamos ver que, no mais das vezes, podemos falar ou escrever sem contrariar ninguém, nem a norma.”
Apesar de verbos como valer, perder, parir e medir apresentarem irregularidades em algumas pessoas, tempos e modos, (eu valho, eu perco, eu pairo, eu meço), mesmo assim, possuem em sua estrutura uma seqüência de soma e subtração de morfemas, inerentes aos diversos tempos verbais.
Essa lógica existente nos verbos pode ser observada, por exemplo, através do verbo ver. Muitos sentem dúvida quando precisam empregar esse verbo no futuro. Não sabem se o correto é “quando eu a vir” ou “quando eu a ver”. Poucos sambem que é correto dizer “quando eu a vir”, mas não sabem que o futuro do subjuntivo surge a partir da segunda pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo (tu viste - p²s PPI) e que ao subtrairmos a desinência ste dessa conjugação, teremos o radical vi, sendo que esse radical somado às desinências r, es, r, mos, des e em formará o futuro do subjuntivo – eu vir, tu vires, ele vir, nós virmos, vós virdes, eles virem.
Apresentar a estrutura e a lógica que há por trás dos verbos é um dos objetivos do projeto “A Matemática a Língua Portuguesa”. Mostrar que é possível inovar o ensino de verbos através de sua própria estrutura, pois dessa maneira tornar-se-á mais fácil encontrar os outros tempos e modos verbais, além, é claro, de deixar as aulas mais dinâmicas e interessantes.
Um segundo motivo para que o aluno aprenda a conjugar verbos seria para melhor se expressar; seja falando, seja escrevendo. Qual candidato a vaga de uma determinada função não perderia créditos ao dizer: “quando eu pôr a documentação no correio”, “ele havia chego”, “o encarregado interviu no caso” ou ainda barbáries com a gramática normativa “eu mido 1,75m”, “se eu cabesse nessa cadeira” ou “eu ponhava sempre a mão na massa”.
E em outras situações, como vestibulares e concursos públicos, torna-se indispensável saber empregar corretamente os verbos. Além do mais, para um boa leitura de livros, jornais, revistas, documentos oficiais e etc, é fundamental dominar tais conhecimentos. Por isso é importante estudar os verbos. Para melhor se comunicar com as pessoas que estão ao nosso redor, seja ela um entrevistador, um patrão, um juiz, um amigo ou até mesmo uma paquera; e isso requer muita vontade, estudo e paciência.
Um terceiro e último motivo seria para conhecer os mecanismos lingüísticos que envolvem a própria língua, pois saber o funcionamento da língua materna é tão importante quanto conhecer as leis de trânsito, os direitos do trabalhador e do consumidor, o funcionamento de um banco ou de qualquer outra instituição.
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Lista das abreviaturas utilizadas
PI |
= presente do indicativo. |
PS |
= presente do subjuntivo. |
IN |
= imperativo negativo. |
IA |
= imperativo afirmativo. |
PPI |
= pretérito perfeito do indicativo. |
PIS |
= pretérito imperfeito do subjuntivo. |
PmqPI |
= pretérito mais-que-perfeito do indicativo. |
FS |
= futuro do subjuntivo. |
IIm |
= infinitivo impessoal. |
PR |
= particípio regular. |
PII |
= pretérito imperfeito do indicativo. |
FPsI |
= futuro do presente do indicativo. |
FPtI |
= futuro do pretérito do indicativo. |
G |
= gerúndio. |
IP |
= infinitivo pessoal. |

|
= conversão. |
|
= radical do verbo (infinitivo) |
|
= radical do presente do indicativo |

|
= desinência inexistente |
An |
= advérbio (não) |
p¹s |
= primeira pessoa do singular |
p²s |
= segunda pessoa do singular |
p³s |
= terceira pessoa do singular |
p¹p |
= primeira pessoa do plural |
p²p |
= segunda pessoa do plural |
p³p |
= terceira pessoa do plural |
 |
= V elevado equivale ao pronome você. Quando seguido do sinal de conversão deve-se substituir o pronome ele(s) pelo pronome você(s). |
d |
= desinência |
T |
= tema |
vt |
= vogal temática |
PI¹ |
= conjugação dos verbos terminados em ar |
PI² |
= conjugação dos verbos terminados em er |
PI³ |
= conjugação dos verbos terminados em ir |
IIm¹ |
= conjugação dos verbos terminados em ar |
IIm² |
= conjugação dos verbos terminados em er |
IIm³ |
= conjugação dos verbos terminados em ir |
PPI¹ |
= conjugação dos verbos terminados em ar |
PPI² |
= conjugação dos verbos terminados em er |
PPI³ |
= conjugação dos verbos terminados em ir |
(arz/vt) |
= forma arrizotônica vogal temática. Indica que a tonicidade não está no radical, mas na vogal temática. A acentuação deve ser feita com o acento agudo ou circunflexo. |
(arz/d) |
= forma arrizotônica desinência. Indica que a tonicidade não está no radical, mas na desinência. Deve-se acentuar a primeira vogal que vier após o tema. A acentuação será feita com o acento agudo ou til. |
(que) |
= termo equivalente ao presente do subjuntivo |
(se) |
= termo equivalente ao pretérito imperfeito do subjuntivo |
(quando) |
= termo equivalente ao futuro do subjuntivo |

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